
"Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo." (Carlos Drumond).

(Chico Buarque)
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei
Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim
Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar
Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim
Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim

Estamos deitados na minha cama. Os olhos inchados de chorar. Passo a mão suavemente nos seus cabelos olhando bem dentro dos teus olhos.
- O que fizemos conosco?
- Estou com sono. Não quero mais falar sobre isso.
Você me puxa para seus braços. Ficamos ainda mais próximos um do outro. O sono está me dominando. Os olhos que já estão pequenos, vão se fechando devagar. Você me aperta contra seu peito. Durmo sentindo seu calor e uma inesperada paz.
Sonho com você, com armas e rosas. Sonho com sangue em minhas mãos e muitas lágrimas. Penso: como é “lágrima” em inglês. Acordo com aquela dúvida, pensando em procurar no dicionário.
Por um instante, esqueço a palavra, pois sinto frio. No quarto escuro, procuro pelo seu toque, seu corpo. Não estás mais lá.
Penso em levantar, em te procurar pela casa.
- Talvez ele só tenha ido ao banheiro.
Mas uma desesperança me assola. Esqueço qualquer outra possibilidade. Você se foi e fechou a porta ao sair. Voltei a chorar, sozinha, no escuro, em silêncio. Durmo exausta, sem querer mais pensar.

Apenas isso. Tudo que tenho para escrever uma vida de sentimentos. Olho ao meu redor. Todos seguem finalizando seus afazeres.
O fim do dia útil.
O desejo pelo início do dia inútil me preenche.
O que ainda posso fazer?
Escrevo essas linhas sem sentido apenas pela necessidade de escrever, mas sem nenhuma história pra contar.
Gostaria de me afogar em destilados e fermentados, mas hoje, os únicos companheiros que me esperam são analgésicos e uma caneca de chá.
Tanto a criar, poderia escrever uma novela somente com esses dias de 2011. Um ano em um mês e meio e eu ainda não estou satisfeita.
Estou mais velha, mas isso é assunto pra outro post, outro dia qualquer. Um dia que eu tiver mais do que somente 15 minutos.
