" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Velha roupa colorida
Naquela sexta-feira, depois de algum tempo, ela de novo estava lá. Com os velhos companheiros de sempre. Sentiu-se bem ao chegar e ver aquele ambiente familiar, que lembravam tantos momentos bons e marcantes de sua vida.
O que não foi tão bom, foi ter que tomar aquela cerveja barata e cretina, que destruía a cada gole, o já ruim, estômago. Por isso, resolveu comprar as primeiras latinhas, a que era um pouco mais cara. O resultado foi a encarnação daqueles que a conheciam dos primórdios de sua boêmia, naquele tempo bebia qualquer porcaria que tivesse álcool.
Dançou um pouco e rápido cansou. Deve ser a falta de costume, ultimamente ela só estava indo pra barzinhos. Também era o cansaço do dia, culpa do vai e vem da vida, estágio, namorado, comemorações. Era tão normal naquela época, aquele lugar, aquele ambiente de amigos, falação e bebedeira.
Mas agora nada daquilo fazia sentido, existia algo diferente. Não no ambiente, nem nos amigos, mas nela. Será a velhice? Pensou. Logo depois lembrou que nem chegara aos 20.
É que ela sentia-se cansada, não só do dia, mas das mesmas coisas de sempre. Sentia vontade de dançar Smiths, e conhecer algo diferente. E nada disso, logicamente, existia ali.
Acordou atordoada, quando a chamaram pra dizer que a festa chegava ao fim, e irritou-se profundamente ao ver que dormiu numa velha mesa de madeira, ao invés de sua cama.
A chuva intensa dificultou ainda mais o sonho de ir pra casa. Tudo alagado, transbordando, e eles sem carro, ou sem barco. Como ela queria sumir, ou aparatar dali.
Quando finalmente chegou a seu destino, já era dia, e estava completamente encharcada e com frio. Deu amém cantarolando a canção "no presente a mente, o corpo, é diferente e o passado é uma roupa, que não nos serve mais". Por isso, que ela gostava de Belchior, porque ele sabe das coisas.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Coisas de Dezembro.
Às vezes, o peso de todas as suas derrotas desmoronam sobre você em um só dia.
Todas as críticas, reprovações e situações frustrantes te fazem sentir a pessoa mais incompetente do mundo.
Há tempos não chorava de tristeza, e não escrevia um texto pessimista. Acho até que tava ficando enjoativo essa coisa toda de romance.
Mas é que o amor nos faz realmente uma pessoa otimista com tudo. A maneira de ver o mundo, de sentir e pensar. O que coincidiu com a maneira diferente na qual eu venho me comunicando, entre outras coisas. Mas isso não vem ao caso agora.
É que não entendo essas pessoas que estão tristes e ouvem, sei lá, Janis Joplin. Que nem é triste, é foda!
Mas deve ser por causa do começo do fim do ano. Fim de semestre, aí você começa a pensar em todas as coisas que não fez, que perdeu, que errou, que se fudeu feio. Fora a academia e as aulas de inglês que você não tinha mais queria ter. [Mentira]
Isso tudo pra mim veio hoje. Pensei: Merda. Último mês do ano. O que eu fiz?
- Eu me apaixonei cara. Tanto que nem em um texto falando de tristeza, eu consigo deixar isso de lado.
Hehehe - Vai entender...
Coisas de Dezembro.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Convite.
Vamos andar pelo jardim de flores e navegar por esse rio com caldas, inebriar aos olhos da cidade e comemorar toda a vaidade.
Vamos cair na maior simpatia, embriagar todos de euforia e protestar contra a covardia, sinalizando as dores do dia a dia, vivenciar a rotina do trânsito, se resfriar banalizando a chuva.
Vou acordar rindo de todo mundo e não vou chorar se já acabou o passado.
Talvez me perca e alguém me ache um dia, no fim da linha ou na altura certa, pra me dizer se ja esta na hora de desprezar a atitude alheia, ou de sofrer por quem não vale a pena.
Vamos dançar no fim dessa semana?
E farrear por todos os lugares, talvez eu passe nesse fim de ano, com as mudanças novos desafios.
Todo excesso causa o seu contrário, para todo esforço uma recompensa.
Vamos levar a vida brincando e ficar sério na frente dos outros, pra aparentar uma maturidade e conservar toda a tradição.
Vou fazer tudo que não deveria e experimentar um exagero as vezes, mas acatar as recomendações.
Vou discutir sobre o fim do mundo, comentar sobre os novos tempos, e ir andando sem saber pra onde.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
A dor da perda
Não é fácil superar a dor
de uma despedida eterna. Não é fácil para quem fica ter que lembrar os
momentos, as histórias, o rosto... E quando essa vida é tirada assim, tão drasticamente,
tão cruelmente, é pior ainda. No entanto, há certa paz, pois penso assim: Sua
missão foi cumprida, você viveu e realizou muitos sonhos. Amou e foi amado. E
agora já podes seguir com o Pai.
É a segunda vez que fico
sabendo de alguém que está pra partir. É difícil falar ou escrever... Fico me
perguntando, o que fazer com tantas lembranças? Porque a vida que se foi não
volta mais, o que fica é apenas a saudade. Apesar de nos últimos tempos eu
pareça ser amante das palavras, nessas horas não consigo expressa-las direito,
acho que elas também não ajudam muito.
Tudo na vida deve ter um propósito pra acontecer. E que no futuro,
talvez, entenderemos. Esse post tem gosto de lágrimas, mas também de amor,
vida, e esperança que tudo fique bem. E que uma nova luz possa reacender do
coração daqueles que hoje sofrem.
Todos os bons pensamentos pra ti, Mestre.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Melodramático
A excessividade de sentimentalismo contrastando com a mais completa frieza. O melodrama em forma de gente. A completa falta de qualquer senso de calma e sobriedade. O desespero. A raiva. A falta de fé, mesmo acreditando em tudo que falam para ele. Pensa que é descolado, mais é na verdade, a caretice sem tamanho.
Constantemente chato, ciumento, frágil. Mas insiste em se fazer de forte. Como se todos não soubessem o quanto ele é carente em essência. Sem qualquer tipo de vergonha na cara, liga para os amigos, apenas para chorar seus lamentos. Como se fosse culpa deles, as cagadas que geralmente costuma fazer com os outros.
E alguns que estão ali todos os dias cara-a-cara, convivendo com aquele ser ilógico e incerto, não tem noção o tamanho de sua histeria. Freud deveria explicar. Ou talvez, Jacques Lacan, Piaget, Vygotsky, ou Skinner. Mas nem eles, entendem o teor de sua loucura.
Quem é capaz de entender a natureza humana? Quem é capaz de compreender a sua própria natureza? Tudo é apenas uma busca eterna. Mas todos precisam de calma.
Ele poderia ser apenas mais um garoto qualquer. E ele é um garoto qualquer. Mesmo que não existam garotos "qualquer", porque todo mundo tem sua história de vida. Mas, ele acha isso. Tem certeza que sua vida será um completo marasmo eterno. Mas é claro, que nada que venha dele, tem que ser levado em consideração. Afinal, ele faz da vida o grande filme melodramático, típico de Theo Angelopoulos, em "Vale dos Lamentos".
Ele tem é sorte. De ter um monte de gente legal e amável ao ser redor. E que atura tudo isso e mais um pouco. Ele tem é sorte de seu melodrama ter paisagens bonitas. Pois quando se esforça, ele é carnaval, alegria. Quando quer faz as pazes com o mundo, e sorri para ele.
domingo, 28 de outubro de 2012
"A volta dos que não foram"
Não sei se alguém percebeu a falta. Provavelmente não. Mas eu percebi a falta que faz para essa pobre garota escrever no seu blog “meia boca”. Durante essas semanas que abandonei minha própria satisfação, estava a descabelar-me com atividades pessoais, como... Que por pouco, muito pouco, não me destruiu.
Também ocupava-me com os estudos que tira o meu sono todas as manhãs. Com ele percebo que acordar cedo não é uma questão de costume, e sim de genética. Tem gente que nasceu pra acordar cedo. Outras não.
Aconteceram tantas coisas que eu poderia ter contado e que certamente renderiam textos legais. Mas por falta de tempo, ou por falta de estimulo, não dissertei. Mas nunca é tarde para ser feliz, e agora tenho algum tempo sobrando, idéias fervilhando e uma vida social ativa.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Quem sabe mais uma necessidade
Talvez ele saiba do que esteja precisando. Talvez morra só em pensar na possibilidade. Essa de jogar tudo fora, deixar estar assim, de não sentir mais o coração apertar toda vez que a escuta. Por mais que a dor exista agora, é melhor senti-la do que não sentir coisa alguma.
Essa robotização das relações inter-intra-extra-pessoais o chocam. O constrange diante do fato de saber que nele o que mais existe é o pulso da corrente sanguínea, correndo exagerados quilômetros por hora. Enquanto os outros ali, diante de copos e fumaças, o contam como funcionam suas relações, em quais botões apertam e como os desligam sem muita dificuldade, sucateando tudo.
Foi nessa hora que pensou em ligar. Era só discar o número gravado já na mente.
Bateu o nervoso. A corrente de sangue correu.
“Alô”
As coisas não saíram como imaginou. O pensamento recorrente da desistência o tomou mais uma vez. Talvez seja isso mesmo. Essa seria a solução de merda mais viável. Mais uma robotização. Mais um fim sucateado. Um suspiro pesado, um gole de cerveja barata, um arroto engasgado: um botão apertado.
sábado, 6 de outubro de 2012
Aqui vem agora
Era sempre do mesmo jeito. Acordava, se olhava no espelho e envelhecia, meio que inconsciente, uns sete ou dez anos. Imaginava se seus olhos estariam felizes. Ou se estariam como agora, cansados. O fato é que ela já tem tudo em mente. Todos esses planos que se costumam fazer [ou que, de certa forma, nos são impostos grosseiramente] sobre a vida, já fazem parte do mundo que guarda em seus pensamentos há certo tempo.
Porém vai além. Não são sonhos referentes apenas ao que todo mundo deve ter quando cresce e vira gente-grande. Ela já sabe a cor da cortina da sala, do título de cada livro posicionado um em cima do outro na prateleira, das cores das almofadas em cima da cama. Dos nomes dos vinis, ao lado dos livros. Dos retratos feitos por ela, os quais retrataram, retratam e vão retratar cada momento de sua vida.
E ela também já sabe com quem dividir isso tudo. Sem nem mesmo tê-lo conhecido, nem visto seu rosto e nem escutado um timbre se quer. Mas já sabe quais conversas terão, quais músicas escutarão nesses momentos, quais livros lerão e comentarão sobre.
Porém, tristemente, ao lavar o rosto, voltava a olhar sua face atual. É, se entristecia sempre que a via verdadeira. Entretanto, logo percebia, alegremente, que sua selvagem e sábia feminilidade, sua introspectividade embutida nos seus erros e tolices do passado, serão recompensados por tudo o que vê ao envelhecer na frente do espelho.
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