" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mudanças e rimas.




Tem roupas amontoadas no canto a quarto. 
Ela não quer arrumar. 
Faz tempo que seu quarto está de pernas pro ar. 
Está tão bagunçado quanto sua própria vida. 

Ela não sabe como se ama mais. 
Esta tentando aprender, mas não esta dando muito certo. 
Ela passa cinco minutos olhando para o teto. 
Tenta pensar em alguma coisa produtiva para fazer da vida, sem sucesso. 

Fala ao telefone, briga com ele, desliga, e pensa na sua merda de vida. 
Esta entediada demais para falar com alguém. 
O teto talvez a entenda melhor do que ninguém. 
Fecha as cortinas da janela, não quer ver a luz do dia. 

O sol geralmente agride seus olhos. 
Gosta mesmo da noite. 
Porque é na noite que a diversão acontece. 
Precisa sair e respirar. 

Mas ainda é meio dia, e só de olhar para fora o calor do sol queima a sua pele. 
Nem ela sabe dizer se está triste ou alegre. 
Tem realizações acontecendo, mas fatos que interrompem sua felicidade plena. 
Uma dor martela sua cabeça. 

Não consegue dormir, nem relaxar. 
Precisa sair do mesmo lugar, precisa viver. 
Precisa se desprender. 
Precisa terminar seus projetos, precisa começá-los. 

E terminar de ler os livros da estante e sair da internet. 
Precisa ir pra academia e fazer mais sexo. 
Precisa voltar a ser menina. 
Na verdade, precisa agora, finalmente, começar a ser mulher. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Cheiro da minha Rosa.





Apesar de parecer com muitas outras, a rosa que eu cultivava no meu jardim tinha muitas peculiaridades. Por isso ela acabou sendo por muito tempo, única pra mim. 

A minha rosa era calma e serena. Tinha o cheiro doce e a voz suave. Além disso, tinha o sorriso largo e alegre.

A minha rosa falava em tom baixo e de forma pausada. Escutar ela falar me acalmava. Ela tinha a gargalhada mais escandalosamente deliciosa que eu já ouvi.

A minha rosa era atenciosa com todos. Estava sempre à disposição para um bate papo descontraído ou mesmo para dar uns conselhos quando necessários. Não por acaso ela vivia cheia de “causos” divertidos pra contar.

A minha rosa me ensinava dia-a-dia que é importante ser espiritualizado e buscar constantemente o equilíbrio em nossas ações.

A minha rosa gostava de ler tirando lições e aprendendo sempre algo mais. 

A minha rosa adorava falar baixinho ao pé do ouvido até eu dormir. Às vezes ela até dormia antes mim, mas mesmo assim eu gostava...

A minha rosa sabia quais “músicas da noite” eu gostava de receber por mensagem de celular nos dias que estava longe dela.

A minha rosa gostava muito de arte, nas diversas possibilidades em que ela pudesse se apresentar.

A minha rosa adorava cozinhar, usando pouquíssimo tempero e bastante sal. Por sinal, a sua comida de dia de domingo era deliciosa. Ela não gostava muito de sucos e saladas variadas.

A minha rosa não era ciumenta nem insegura, apenas um pouco carente.

A minha rosa às vezes tinha algumas crises existenciais. Nesses dias ela ficava um pouco impaciente. Mas isso costumava passar facilmente, quando era regada com carinho e cafuné.

A minha rosa sabia se estava feliz ou triste, só de me olhar. Meus olhos podiam enganar a muitos outros olhos, mas não aos dela.

A minha rosa gostava muito de brisa e café forte.

A minha rosa, como tantas outras, gostava de falar muito (muito mesmo!). Mas ao contrário da maioria, ela sabia também a hora de escutar.

A minha rosa era bem culta e por isso acabava me ensinando o significado de palavras que até então desconhecia.

A minha rosa gostava do toque, do cheiro... do beijo devagar e demorado, exatamente assim, “o jeito que ela gostava mais”. [risos]

Tudo isso fez com que a minha rosa se tornasse única dentre tantas outras semelhantes. O seu cheiro a tornava inconfundível. 



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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Luz por Fanho Bezerra.




Com seu bom humor dramático, tal qual um pessimismo barato (risos).
Vendendo a  fiado carinhos de ontem. Mas, relativizando tudo as engrenagens sorriem com ar de esperança.

Possui uma incrível capacidade de criar devaneios que se confundem com a nossa-senhora-sociedade-doente, que de tão insistente rouba-nos os sonhos de criança e cria outros para serem colonizados mais tarde.

Características físicas não ouso escrever, aliás, ouso sim: bochechas grandes e fofas sem mais! Mas como não se lembrar do seu sorriso enorme e dos olhos puxados que fitam o pôr do sol numa quarta-feira qualquer.

Ama os amigos, isso é inquestionável. Isso me faz pensar que seja a partir desse sentimento que vem o estimulo para rir das piadas sem graças elaboradas pelos amigos.

Ela escreve super bem e deixa isso bem claro nas postagens que faz em seu blog. Sim, ela tem um blog... Tudo bem ninguém é perfeito.

“O Snoopy ver tudo, o Snoopy sabe de tudo, o Snoopy ouve tudo, o Snoopy é legal, o Snoopy... é o Snoopy”.

Quer aprender a tocar piano, ‘violar tocão’ e viajar por aí com uma mochila grande na costa. Os sonhos de hoje somam-se aos de amanhã, empurrando o clichê com delicadeza desejo-te que alcances todos, os de hoje e os de amanhã.

“Odeia” qualquer um que se chama André... I wanna love you and treat
you right.
I wanna love you every day and every night ♪♫ (um Reggae). Sorvete de chocolate com coberturas estranhas (certo, nada a ver).

Jéssica Luz... luz do abraço apertado, luz do sorriso fácil, luz que te resgata do tédio na madrugada, luz da amizade e dos devaneios compartilhados.

Nesse misto de poema, poesia, carta, cantiga de amor, cantiga de amigo depoimento de Orkut e esquizofrenia deliberada (e gramatical) tentei te mostrar de forma singela (às vezes, beirando a mediocridade) o meu enorme carinho por ti. 

Abraço apertado e o tradicional cheiro. 


Texto e Foto: André Bezerra.


domingo, 23 de dezembro de 2012

O Valor da Amizade.






Nenhum dicionário, nenhum teórico, nenhum intelectual, nem em palavras conseguiremos determinar ao certo o que é a amizade. É uma coisa mágica, lúdica, de encontro de almas, de identidades, de apreço, de afeto mútuo. Todo tempo idealizamos amigos, a convivência diária, o mesmo gosto musical, as mesmas ideias, as mesmas piadas, nos faz traçar laços de carinho que imaginamos e queremos que seja eterno. Nem sempre isso acontece; pelo simples (ou melhor, complexo) fato de que a amizade independe de distância, raça, cor, credos, valores, independe de nós.

Em certos momentos da vida, estamos rodeados de pessoas, de cúmplices que passam pelas mesmas dificuldades, pelas mesmas angustias e andam na mesma direção, a ela é conferida toda a nossa fidelidade, nosso encantamento. É quando de repente caímos alto e nos despedaçamos no chão, ouvimos (ou lemos) absurdos de pessoas que nem nos conhecem, que nasceram para desunir, meu pai sempre disse que existem dois tipos de pessoas na vida: a primeira é aquela que pretende unir, agrupar as pessoas; e a outra é aquela que separa, divide, possuem dentro de si o veneno da discórdia, esses últimos desmembram relações com propriedade.

Não digo nem relações de amizade, pois descobrimos então que toda aquela afeição não foi amizade, pois amizade não se perde assim, não se esvai entre os dedos como um líquido qualquer, ela é infinita, complacente. O que existiu, foram apenas momentos bons, que fizeram você se sentir vivo, sentir um bem-estar intransponível, uma alegria prazerosa. Um dia a gente aprende que não devemos nunca perder tempo com intriguinhas covardes, balelas sem fundamentos, porque não há sentido, é distorcer todo o propósito da vida. Amizade é sinônimo de amor, outro termo que segundo Oscar Wilder, é tão misterioso quanto à morte, outra palavra sem definição concisa, apenas sabemos que é uma coisa boa e que sem isso é impossível viver, e ser feliz.

Todo resto é a mais pura besteira, todo resto é mediocridade humana, é estupidez.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Velha roupa colorida






Naquela sexta-feira, depois de algum tempo, ela de novo estava lá. Com os velhos companheiros de sempre. Sentiu-se bem ao chegar e ver aquele ambiente familiar, que lembravam tantos momentos bons e marcantes de sua vida.
O que não foi tão bom, foi ter que tomar aquela cerveja barata e cretina, que destruía a cada gole, o já ruim, estômago. Por isso, resolveu comprar as primeiras latinhas, a que era um pouco mais cara. O resultado foi a encarnação daqueles que a conheciam dos primórdios de sua boêmia, naquele tempo bebia qualquer porcaria que tivesse álcool.
Dançou um pouco e rápido cansou. Deve ser a falta de costume, ultimamente ela só estava indo pra barzinhos. Também era o cansaço do dia, culpa do vai e vem da vida, estágio, namorado, comemorações. Era tão normal naquela época, aquele lugar, aquele ambiente de amigos, falação e bebedeira.
Mas agora nada daquilo fazia sentido, existia algo diferente. Não no ambiente, nem nos amigos, mas nela. Será a velhice? Pensou. Logo depois lembrou que nem chegara aos 20.
É que ela sentia-se cansada, não só do dia, mas das mesmas coisas de sempre. Sentia vontade de dançar Smiths, e conhecer algo diferente. E nada disso, logicamente, existia ali.
Acordou atordoada, quando a chamaram pra dizer que a festa chegava ao fim, e irritou-se profundamente ao ver que dormiu numa velha mesa de madeira, ao invés de sua cama.
A chuva intensa dificultou ainda mais o sonho de ir pra casa. Tudo alagado, transbordando, e eles sem carro, ou sem barco. Como ela queria sumir, ou aparatar dali.
Quando finalmente chegou a seu destino, já era dia, e estava completamente encharcada e com frio. Deu amém cantarolando a canção "no presente a mente, o corpo, é diferente e o passado é uma roupa, que não nos serve mais". Por isso, que ela gostava de Belchior, porque ele sabe das coisas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Coisas de Dezembro.


Às vezes, o peso de todas as suas derrotas desmoronam sobre você em um só dia.

Todas as críticas, reprovações e situações frustrantes te fazem sentir a pessoa mais incompetente do mundo.
Há tempos não chorava de tristeza, e não escrevia um texto pessimista. Acho até que tava ficando enjoativo essa coisa toda de romance.


Mas é que o amor nos faz realmente uma pessoa otimista com tudo. A maneira de ver o mundo, de sentir e pensar. O que coincidiu com a maneira diferente na qual eu venho me comunicando, entre outras coisas. Mas isso não vem ao caso agora.

Eu tava falando de tristeza. Cheguei em casa e ouvi Radiohead na rádio, mas queria mesmo é ouvir James Morrison [If you don't wanna love me]. Como não tinha peguei as mais melancólicas do Vitor Ramil e me deliciei.

É que não entendo essas pessoas que estão tristes e ouvem, sei lá, Janis Joplin. Que nem é triste, é foda!
Mas deve ser por causa do começo do fim do ano. Fim de semestre, aí você começa a pensar em todas as coisas que não fez, que perdeu, que errou, que se fudeu feio. Fora a academia e as aulas de inglês que você não tinha mais queria ter. [Mentira]

Isso tudo pra mim veio hoje. Pensei: Merda. Último mês do ano. O que eu fiz?

- Eu me apaixonei cara. Tanto que nem em um texto falando de tristeza, eu consigo deixar isso de lado. 
Hehehe - Vai entender... 

Coisas de Dezembro.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Convite.



Vamos andar pelo jardim de flores e navegar por esse rio com caldas, inebriar aos olhos da cidade e comemorar toda a vaidade.
Vamos cair na maior simpatia, embriagar todos de euforia e protestar contra a covardia, sinalizando as dores do dia a dia, vivenciar a rotina do trânsito, se resfriar banalizando a chuva.
Vou acordar rindo de todo mundo e não vou chorar se já acabou o passado.

Talvez me perca e alguém me ache um dia, no fim da linha ou na altura certa, pra me dizer se ja esta na hora de desprezar a atitude alheia, ou de sofrer por quem não vale a pena.
Vamos dançar no fim dessa semana? 
E farrear por todos os lugares, talvez eu passe nesse fim de ano, com as mudanças novos desafios.
Todo excesso causa o seu contrário, para todo esforço uma recompensa.

Vamos levar a vida brincando e ficar sério na frente dos outros, pra aparentar uma maturidade e conservar toda a tradição.
Vou fazer tudo que não deveria e experimentar um exagero as vezes, mas acatar as recomendações.
Vou discutir sobre o fim do mundo, comentar sobre os novos tempos, e ir andando sem saber pra onde.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A dor da perda




Não é fácil superar a dor de uma despedida eterna. Não é fácil para quem fica ter que lembrar os momentos, as histórias, o rosto... E quando essa vida é tirada assim, tão drasticamente, tão cruelmente, é pior ainda. No entanto, há certa paz, pois penso assim: Sua missão foi cumprida, você viveu e realizou muitos sonhos. Amou e foi amado. E agora já podes seguir com o Pai.



É a segunda vez que fico sabendo de alguém que está pra partir. É difícil falar ou escrever... Fico me perguntando, o que fazer com tantas lembranças? Porque a vida que se foi não volta mais, o que fica é apenas a saudade. Apesar de nos últimos tempos eu pareça ser amante das palavras, nessas horas não consigo expressa-las direito, acho que elas também não ajudam muito.

Tudo na vida deve ter um propósito pra acontecer. E que no futuro, talvez, entenderemos. Esse post tem gosto de lágrimas, mas também de amor, vida, e esperança que tudo fique bem. E que uma nova luz possa reacender do coração daqueles que hoje sofrem.



Todos os bons pensamentos pra ti, Mestre.
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