Sempre escuto que a vida é efêmera, que ela passa muito rápido e que devemos aproveitar tudo. Não vou dizer o contrário, mas vou especificar isso. Acho que algumas coisas na vida são mais efêmeras do que outras. Um pôr-do-sol que acontece sem uma câmera por perto para você registrar, certamente é mais belo, é um momento único que se guarda dentro de si.
Devemos ter a capacidade de identificar aquelas coisas que talvez jamais veremos de novo, de repetir "eu te amo" mil vezes se a possibilidade de ver a outra pessoa novamente por muito tempo seja mínima. Às vezes são coisas grandiosas, como um show que talvez nunca mais você tenha chance de ver, uma proposta de emprego, algo assim. Ou coisas tão simples como o pôr-do-sol que eu falei no começo, como um beijo lento e saboreado a cada movimento.
Digo isso porque depois sempre acontece de pensarmos: "Se eu soubesse que seria a última vez...", se soubéssemos que seria a última vez teríamos observado o sol sumir até o azul ir tomando conta do céu e as estrelas aparecerem, teríamos falado "eu te amo" sem parar, pulado e gritado até perder a voz no show, aceitado o bendito emprego, beijado de todos os jeitos, desde o desesperado até o mais gentil.
Sobretudo, se soubéssemos que seria a última vez... Talvez nunca deixaríamos certas coisas, entenderíamos de ficar ali para sempre, simplesmente por não querer deixar aquilo para trás. A vida continua e as efemeridades continuam passando, por isso que são tão rápidas e imprevisíveis, talvez essa coisa tão fugaz tenha sido feita para escapar entre os nossos dedos, por isso é tão especial.
" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)
domingo, 29 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Sobre intimidade.
Você já deve ter ouvido falar, ou então ter falado também: "Dê dinheiro mas não dê intimidade", e todas as outras variações que essa frase pode ter. Sempre achei isso engraçado porque na maioria das vezes as pessoas estão em uma eterna busca pela intimidade.
Falo, por exemplo, dos casais, quando uma garota fica constrangedoramente feliz quando o namorado sabe dos seus hábitos, sejam eles quais forem. Dos amigos, quando entram na sua casa e vão direto para a geladeira ou se jogam no sofá. Quando você pode falar qualquer tipo de besteira e não será estranho ou chato.
E geralmente, a intimidade vem com o tempo, depois de anos de convivência. Mas acho ainda mais divertidas aquelas que surgem do nada, a pessoa que você conhece um dia e então um mês depois já sabe identificar com quem ela está falando ao telefone pelo simples tom de voz que ela está usando. Por mais estranha e inconveniente que a intimidade possa ser, uma vez que se tem é difícil esquecer ou deixar de lado alguém que já sabe tanto de você.
Então, mesmo tendo lados ruins (os quais eu não mencionei de propósito, não quis mostrar pessimismo) não acho que devamos rechaçar a intimidade. A eterna busca por companhia, calor humano e compreensão começa com a permissão que damos a alguém para que ela entre na nossa rotina e participe da nossa vida. E então damos liberdade para ela ser quem é, quando ambos podem ser genuinamente quem são, a intimidade surge... E aí é com vocês.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Olhos nos olhos.
A questão do olhar é tão discutida que às vezes é difícil falar o que tem em um olhar de verdade.
Olhar é gostoso, olhar tão de perto e ver os filamentos que fazem a íris do outro, ver além da pupila, além da pura estética, da anatomia. Ver o que realmente aquilo representa, olhar nos olhos de alguém é banhar-se na sua luz, deixar seus sonhos, sua ideias derramarem-se sobre você, é gostar daquilo, no fim.
Sempre achei difícil olhar assim, abrir-me dessa maneira, achava olhar nos olhos a maior invasão. A forma que a outra pessoa me veria de verdade, encarando-se não se mente, não se trai. Hoje, ainda evito isso, sinto medo de não agradar e tenho medo de meus olhos dizerem as coisas que eu guardo muito profundamente, que não podem despontar.
Encarar às vezes é considerado falta de educação, e me espanto em ver como as pessoas querem franqueza hoje em dia se não deixam os olhos dizerem tudo que se quer dizer. Quando sorrimos eles sorriem junto, pare em frente ao espelho, sorria e cubra sua boca, seus olhos sorriem, deles saem as lágrimas, eles semicerram-se quando estamos com sono, ficam vermelhos quando doentes ou bêbados.
Os olhos são portais, janelas da alma virou um clichê, porque eles estão além disso, estão no âmago, na caixa secreta de todos nós. Olhar nos olhos é abrir uma porta, permitir uma leitura de nós mesmo, paixões, segredos, está na parte mais intensa e íntima de todos os medos, olhar nos olhos é desnudar, abertamente se entregar.
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♪ Do Paolo Nutini eu tenho que falar muito, simplesmente me apaixonei por ele, Last Request, Million Faces e Autumn são com certeza músicas perfeitas para embalar momentos apaixonados e sonhadores.
sábado, 16 de novembro de 2013
Ciclos.
Temos consciência de que as coisas na vida estão em constante mudança,
nunca serão as mesmas. Mas, chegando ao fim de um ciclo, nos pegamos em
alguns momentos pensando: "Como eu gostaria que isso nunca acabasse".
A gente se adapta, se acomoda. E sabemos que podemos voltar aqueles mesmos lugares, com as mesmas pessoas. Mas será diferente. Não é o mesmo tempo, nem as mesmas experiências.
Muitas vezes eu me perguntei, durante a adolescência, qual o momento em que nos tornamos adultos.
E
hoje, descobri que, na maior parte do tempo, precisamos identificar quem
são as pessoas que nos fazem adultas também. Quem nos ensinou de todas
as formas, na teoria ou prática. Quais situações e quais lugares nos
trouxeram hoje ao lugar onde estamos.
É preciso seguir em frente,
nunca parar, crescer. Eu gostaria que muitos ciclos nunca acabassem, mas
eles se fecham... Para dar lugar a outros e mais outros, até o dia em
que não haverá mais ciclo a ser renovado, apenas concluído. Mas o mais
importante é: manter por perto quem nos faz crescer, mudar para melhor e
evoluir. As pessoas que nos tornam adultas, enfim.
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Saudade.
Saudade é uma coisa assim: Você gosta e não gosta de sentir. Uma dorzinha gostosa, um querer ver, vontade de beijar, de abraçar, é lembrar daquele sorriso e sentir uma coisinha aguda bem no fundo do peito, pensar em momentos bons e sentir uma dormência pelo corpo inteiro.
Mas em algumas horas dói tanto que dá vontade de chorar, de sair de casa, pegar um ônibus, andar. Encontrar aquele alguém, aquele lugar, o toque que te faça vibrar. Por vezes é bom sentir saudade mas depois de um tempo entristece, o coração chora, endurece, dá lugar à solidão.
E quando matamos a saudade? Que o peito explode, vem um sorriso espontâneo, encantador, dá vontade de cantar, de amar. Porque afinal, saudade é bom sim, faz bem ao coração, você passa algum tempo longe e tudo muda de figura, é mais prazeroso, mais delicioso, ver o rosto ou o lugar amado depois de tanto tempo, parece que tudo conspira para que seja perfeito.
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Sinto falta de muitas coisas, algumas companhias, alguns sorrisos, lugares, abraços, algumas ainda estão no estágio gostoso, da dorzinha boa... Algumas já avançam rapidamente e ficam doendo até serem exterminadas, gosto de pessoas que me fazem sentir saudade, pois essas pessoas são as que se tornaram essenciais.
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♪ Escuta esse meio antiga, Don't Tell Me da Madonna ^^
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Flores.
Já escutei muito algumas mulheres falando: "Não gosto de receber flores, elas vão morrer de qualquer jeito". Acho besteira dizer isso, pronto, falei. Flores são tentativas de demonstrar que ainda existem gestos românticos. Acho lindo ver homens nas ruas carregando buquês que estão prestes a entregar, olhar moças sorridentes no ônibus enquanto carregam, orgulhosas, uma simples rosa.
Ah, eu sei, que coisa mais à moda antiga. Só ganhei flores uma vez, três rosas vermelhas, pra ser exato. Rosas vermelhas não são as que eu mais gosto, mas naquela noite foi. Gosto de tulipas, são as que eu mais gosto, mas nunca recebi. Hoje, os presentes variam desde livros até eletrônicos. E o romance fica perdido em um cartãozinho comprado e colocado dentro, na maioria das vezes com uma frase já impressa.
Não precisam ser rosas vermelhas gigantes em um buquê todo arrumado e cheio de papel celofane. Pode ser uma flor que pegaram no caminho e deram... Significa que alguém lembrou de você. Flores tem entre suas pétalas mais do que perfume e cores belas... Desde muito antes elas carregam histórias de amor e demonstrações de paixão.
Mas está tudo relacionado a essa ideia atual de que mulheres não precisam mais dessas coisas. Se você dá chocolate elas reclamam que vão engordar. E se você dá flores elas desprezam, como se fosse a coisa mais sem graça.
Pois eu discordo dessas atitudes, porque sei que, ao menos comigo, alguma coisa derrete por dentro. Mulheres querem ser adoradas e desejadas. Adoram escutar todos os dias que são lindas. E toda mulher merece receber em algum momento da sua vida uma flor que seja. É bom ser mimada de vez em quando e deixar de lado tudo que é mais moderno. Romance faz bem, vai que você gosta?
Foto: Março, 01/2009.
domingo, 13 de outubro de 2013
Segundo Domingo de Outubro.
Chega uma época em que não param de falar dela. É foto, roupa nova e cartazes de vários passeios. E os olhos brilhantes que avistam de longe e falam: "Ah, tô vendo ela. Égua! Como ela tá linda esse ano!".
A verdade é que ela é toda bela todos os anos, o ano inteiro. Até mesmo quando se guarda fechada em seu domo de vidro.
Ela passa mansa, posando tranquilamente, pois todos sabemos que logo ela estará em todos os perfis do Facebook, será Trending Topic no Twitter e ficará perfeita com qualquer filtro que usarem no Instagram.
Qualquer refletor lhe deixa maravilhosa e mesmo sob o sol fervente do meio dia, de Belém, ela se impõe, majestosa.
"Que horas ela chega?", "Quanto tempo ela vai demorar aqui na frente?". E todos se acotovelam para olhá-la. E lhe dão flores, promessas, prendas e cheiros. Para todos ela olha com bondade, nunca exigindo mais, sempre acalentando quem chora ao seu simples aparecimento.
Aí ela se recolhe, depois de tanto passeios, tantos rostos. Ela sobe e fica lá em cima, quietinha na sua beleza que traz tanta paz. Mas continua a receber visitas. Sempre tem quem diga: "Vou lá. Quero ver ela". Arrastados pelo poder que ela detém de nos emocionar ao simples vislumbre.
No final, todos vamos lá vê-la. É Círio de Nazaré em Belém. Feliz Círio a todos.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Faróis.
Existem pessoas que são tipo faróis. Sim, desses faróis de praia, de ilha. Pessoas que emitem uma luz própria tão forte que atrai quem está perdido e dá conforto aos que achavam que não havia mais salvação.
Muitas vezes eu me pergunto se todo mundo tem uma missão na vida. Se há algum objetivo específico que devemos alcançar. O chefão a ser enfrentado antes de terminar o jogo.
Pessoas que são faróis devem decifrar isso bem cedo. Farol ilumina, sim. Mas também fica vazio por muito tempo. De vez em quando é revisitado. Alguém vai lá, limpa o interior, renova as lâmpadas e tira a poeira dos vidros. Mas depois vai embora, como todos os outros. Farol de vez em quando é só ponto turístico, não um lugar pra se morar.
Gente farol é assim mesmo. Ilumina, guia, ajuda. Mas é difícil cuidar de um farol. É trabalhoso, requer atenção e disponibilidade. É complicado ter a luz de um farol inteiro só pra si, mas para isso, tem quem saiba domar, que sabe cuidar sem desperdiçar, e talvez seja essa a missão dessas outras pessoas.
Pois existem pessoas que são tipo cuidadores de faróis...
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