" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Coisas. Paixão e chuva.


Sabe do que ela gosta? De se apaixonar no inverno.

Aquele clima gelado chuviscante é tão propício a coisas a dois: assistir a umfilmecompipocadebaixodolençol, ouvir as cordas do violão, conversar sobre as letras daquela música daquela banda com aquele arranjo doido, ir pra cozinha e fazer uma gororoba qualquer quando bate a fome e coisa e tal e tal e coisa. [nem gosta de comer]

E se for um temporal com relâmpagos, trovejos e queda de energia? Nesse caso basta dormir e dormir e dormir com a cabeça enterrada no travesseiro sabendo que tem ali ao seu lado a tal pessoa.

O papo é estar apaixonada no inverno.

Pra mais tarde, acordar, quando passar a chuva, andar pela calçada atrás de um bar, tomar umas muito bem acompanhada e bater papo até cansar. E assim que cansar ir embora pra...

O papo é estar apaixonada. No inverno.

oquei, o papo mesmo é que seja recíproco. Por que se não, fudeu. Mas fazer o quê? As coisas apenas acontecem. Muitas vezes sem planejamento.

Mas talvez... Ah, poizé! Ela gosta é de se apaixonar no inverno.


.

sexta-feira, 16 de março de 2012

"Assim..."

na memória recente ainda estão:
a calma no na frente do colégio,
o abraço com cheiro de maré,
o frio na barriga
e o medo.

estão também:
a mão que não quero largar,
o cheiro que sei ser só teu
e a energia do nosso "estar junto à toa"
que só a gente tem.

um tempo enorme passou
sem que soubéssemos
um do outro.
mas agora nos reconhecemos.

em memória ao lanche depois da chuva,
a coca-cola,
ao churrasco,
a pizza com fanta uva,
ao suco de maracujá,
aos olhares meigos,
toques doces
e afagos da alma,
escrevo estas linhas de gratidão.

gratidão principalmente pelos olhos e olhar de menino,
que tanto me encanta com esse violão e vontades,
vontades de menino branco da cidade.

gratidão,
enfim,
aos sentimentos
que aos poucos
nos permitimos enxergar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

E ainda sim, você gosta de mim.


Nada é mais doloroso do que ouvir você gritar
Eu poderia não pensar mais em nada,
Absolutamente nada, que me faça chorar
Eu sei que depois vai ficar tudo bem
Eu sei que depois vamos esquecer tudo
Temos a capacidade de fazer isso
Como quem tem a capacidade de sofrer e cantar
Mas nada, absolutamente nada é mais doloroso do que ouvir você gritar
Todas as desculpas vão ser aceitas, mesmo que todo o mundo veja o quanto a gente se odiou por um momento
Senti vergonha de tudo que passamos,
Mesmo que tenha sido passageiro
Toda a dor que senti por horas
Perdida na noite como um gato abandonado e sombrio
Você conseguiu suprir a minha carência
As minhas desculpas, as suas desculpas
De quem é a culpa?
Por toda a histeria e brigas que tivemos
Que não tem sentido algum
Poderíamos sentir rancor por uma vida inteira
Mas o que adiantaria? O que seria de nós?
Nada é mais doloroso do que ouvir você gritar
E ver o seu olhar de ódio por alguns segundos destinados a mim
Eu poderia evitar. Você poderia evitar. (Poderia. Deveria.)
O tempo que perdemos com ofensas e maus-tratos não volta mais
Não é só um cordão quebrado, uma aliança quebrada
Tudo mais é quebrado em nós
E quando a gente conseguir juntar os cacos
Nada é melhor que ouvir você confessar - que ainda assim – você gosta de mim.


"Eu gosto de você. E você gosta de mim."

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ao passo miúdo, a gente se (re)conhece.


O fardo da vida e meus melhores "poucos" momentos de um dia.
Para ler ao som de "oh my love" John Lennon e Yoko Ono.




"Quando você tem a maior certeza, a maior saudade, a maior alegria de sua vida,
e sente-se feliz como nunca antes..."



Estou sendo levada pela vida (mais uma vez). E o meu corpo está sofrendo seus efeitos.
As vezes considero um grande fardo. O trabalho, as tarefas o cargo.
O trânsito pertubador as vezes me faz explodir.
Ao mesmo tempo, sinto-me feliz, como nunca (nunca?...) antes.
O amor me impulsiona a ser uma pessoa melhor, e a crescer no íntimo e no coletivo.
Os melhores "poucos" momentos dos meus dias estão na compania duma pessoa chata:
Sr. Gouvêa.




"Amor é quando se mora um no outro" - Mario Quintana.
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