" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)

sábado, 16 de novembro de 2013

Ciclos.





Temos consciência de que as coisas na vida estão em constante mudança, nunca serão as mesmas. Mas, chegando ao fim de um ciclo, nos pegamos em alguns momentos pensando: "Como eu gostaria que isso nunca acabasse".

A gente se adapta, se acomoda. E sabemos que podemos voltar aqueles mesmos lugares, com as mesmas pessoas. Mas será diferente. Não é o mesmo tempo, nem as mesmas experiências.
Muitas vezes eu me perguntei, durante a adolescência, qual o momento em que nos tornamos adultos. 

E hoje, descobri que, na maior parte do tempo, precisamos identificar quem são as pessoas que nos fazem adultas também. Quem nos ensinou de todas as formas, na teoria ou prática. Quais situações e quais lugares nos trouxeram hoje ao lugar onde estamos.
 
É preciso seguir em frente, nunca parar, crescer. Eu gostaria que muitos ciclos nunca acabassem, mas eles se fecham... Para dar lugar a outros e mais outros, até o dia em que não haverá mais ciclo a ser renovado, apenas concluído. Mas o mais importante é: manter por perto quem nos faz crescer, mudar para melhor e evoluir. As pessoas que nos tornam adultas, enfim.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Saudade.




Saudade é uma coisa assim: Você gosta e não gosta de sentir. Uma dorzinha gostosa, um querer ver, vontade de beijar, de abraçar, é lembrar daquele sorriso e sentir uma coisinha aguda bem no fundo do peito, pensar em momentos bons e sentir uma dormência pelo corpo inteiro.

Mas em algumas horas dói tanto que dá vontade de chorar, de sair de casa, pegar um ônibus, andar. Encontrar aquele alguém, aquele lugar, o toque que te faça vibrar. Por vezes é bom sentir saudade mas depois de um tempo entristece, o coração chora, endurece, dá lugar à solidão.

E quando matamos a saudade? Que o peito explode, vem um sorriso espontâneo, encantador, dá vontade de cantar, de amar. Porque afinal, saudade é bom sim, faz bem ao coração, você passa algum tempo longe e tudo muda de figura, é mais prazeroso, mais delicioso, ver o rosto ou o lugar amado depois de tanto tempo, parece que tudo conspira para que seja perfeito.


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Sinto falta de muitas coisas, algumas companhias, alguns sorrisos, lugares, abraços, algumas ainda estão no estágio gostoso, da dorzinha boa... Algumas já avançam rapidamente e ficam doendo até serem exterminadas, gosto de pessoas que me fazem sentir saudade, pois essas pessoas são as que se tornaram essenciais.
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♪  Escuta esse meio antiga, Don't Tell Me da Madonna  ^^

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Flores.




Já escutei muito algumas mulheres falando: "Não gosto de receber flores, elas vão morrer de qualquer jeito". Acho besteira dizer isso, pronto, falei. Flores são tentativas de demonstrar que ainda existem gestos românticos. Acho lindo ver homens nas ruas carregando buquês que estão prestes a entregar, olhar moças sorridentes no ônibus enquanto carregam, orgulhosas, uma simples rosa.

Ah, eu sei, que coisa mais à moda antiga. Só ganhei flores uma vez, três rosas vermelhas, pra ser exato. Rosas vermelhas não são as que eu mais gosto, mas naquela noite foi. Gosto de tulipas, são as que eu mais gosto, mas nunca recebi. Hoje, os presentes variam desde livros até eletrônicos. E o romance fica perdido em um cartãozinho comprado e colocado dentro, na maioria das vezes com uma frase já impressa.

Não precisam ser rosas vermelhas gigantes em um buquê todo arrumado e cheio de papel celofane. Pode ser uma flor que pegaram no caminho e deram... Significa que alguém lembrou de você. Flores tem entre suas pétalas mais do que perfume e cores belas... Desde muito antes elas carregam histórias de amor e demonstrações de paixão.

Mas está tudo relacionado a essa ideia atual de que mulheres não precisam mais dessas coisas. Se você dá chocolate elas reclamam que vão engordar. E se você dá flores elas desprezam, como se fosse a coisa mais sem graça.

Pois eu discordo dessas atitudes, porque sei que, ao menos comigo, alguma coisa derrete por dentro. Mulheres querem ser adoradas e desejadas. Adoram escutar todos os dias que são lindas. E toda mulher merece receber em algum momento da sua vida uma flor que seja. É bom ser mimada de vez em quando e deixar de lado tudo que é mais moderno. Romance faz bem, vai que você gosta?





                                                                 Foto: Março, 01/2009.

domingo, 13 de outubro de 2013

Segundo Domingo de Outubro.




Chega uma época em que não param de falar dela. É foto, roupa nova e cartazes de vários passeios. E os olhos brilhantes que avistam de longe e falam: "Ah, tô vendo ela. Égua! Como ela tá linda esse ano!".

A verdade é que ela é toda bela todos os anos, o ano inteiro. Até mesmo quando se guarda fechada em seu domo de vidro.

Ela passa mansa, posando tranquilamente, pois todos sabemos que logo ela estará em todos os perfis do Facebook, será Trending Topic no Twitter e ficará perfeita com qualquer filtro que usarem no Instagram.

Qualquer refletor lhe deixa maravilhosa e mesmo sob o sol fervente do meio dia, de Belém, ela se impõe, majestosa.

"Que horas ela chega?", "Quanto tempo ela vai demorar aqui na frente?". E todos se acotovelam para olhá-la. E lhe dão flores, promessas, prendas e cheiros. Para todos ela olha com bondade, nunca exigindo mais, sempre acalentando quem chora ao seu simples aparecimento.

Aí ela se recolhe, depois de tanto passeios, tantos rostos. Ela sobe e fica lá em cima, quietinha na sua beleza que traz tanta paz. Mas continua a receber visitas. Sempre tem quem diga: "Vou lá. Quero ver ela". Arrastados pelo poder que ela detém de nos emocionar ao simples vislumbre.

No final, todos vamos lá vê-la. É Círio de Nazaré em Belém. Feliz Círio a todos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Faróis.

 Existem pessoas que são tipo faróis. Sim, desses faróis de praia, de ilha. Pessoas que emitem uma luz própria tão forte que atrai quem está perdido e dá conforto aos que achavam que não havia mais salvação. 
Muitas vezes eu me pergunto se todo mundo tem uma missão na vida. Se há algum objetivo específico que devemos alcançar. O chefão a ser enfrentado antes de terminar o jogo. 

Pessoas que são faróis devem decifrar isso bem cedo. Farol ilumina, sim. Mas também fica vazio por muito tempo. De vez em quando é revisitado. Alguém vai lá, limpa o interior, renova as lâmpadas e tira a poeira dos vidros. Mas depois vai embora, como todos os outros. Farol de vez em quando é só ponto turístico, não um lugar pra se morar. 



Gente farol é assim mesmo. Ilumina, guia, ajuda. Mas é difícil cuidar de um farol. É trabalhoso, requer atenção e disponibilidade. É complicado ter a luz de um farol inteiro só pra si, mas para isso, tem quem saiba domar, que sabe cuidar sem desperdiçar, e talvez seja essa a missão dessas outras pessoas.
Pois existem pessoas que são tipo cuidadores de faróis...

sábado, 14 de setembro de 2013

Além de você.


Às vezes eu acho que não estou pronta para ninguém além de você. Depois de algum tempo, quando penso que tudo se curou, a verdade me atinge como água gelada. Um conjunto de frustrações e empecilhos para que eu enfim conclua que eu não estou pronta para ninguém além de você.

Eu ainda tenho mil segredos para dividir. Muitos versos que precisamos rimar. Eu escrevi sobre tantas pessoas e no final de cada texto ao menos uma frase era você. Eu sei todas as minhas sequências de dramas nessa lástima desenfreada.

Eu compreendo todos os seus gestos em cada flor abandonada. Mas ao mesmo tempo, alguns querem esquecer, outros conversar. Muitos querem textos. Palavras, tantas letras. A cada pedido um gosto amargo sentido diretamente no coração, mas uma doçura repentina, que dura pouco, mas que vale a pena. Palavras que eternizam aquilo que há de se perder. Todas as coisas que me mostram que eu não estou pronta para ninguém, só você.

O quanto eu já vivi além de você? Tantas vezes eu cheguei ao ponto que pensei ser o limite e era apenas mais um teste, pois havia muito mais. E deve haver. Eu preciso que tenha muito mais, meu amor, além de você.

domingo, 8 de setembro de 2013

Já foi.



Quando eu era criança eu tinha aquela ideia de que meus pais nasceram adultos. Sim, eu pensava que eles não tinham sido crianças ou adolescentes como eu. E que, por isso, eles não me entendiam às vezes.
Aí a gente vai crescendo e do nada, não se tem mais quinze anos. Subitamente você não está no Ensino Médio. Aí de uma hora pra outra sua preocupação já não é mais o vestibular. Você está mais velho, no final da faculdade, sua preocupação é emprego. Quando vou sair de casa? O que quero da vida? Vou conseguir ser contratado em algum lugar? Vou casar algum dia?

Tudo que te preocupava quando pequeno de repente é irrelevante. E você vê pessoas mais novas passando pelo mesmo ciclo. O que aconteceu com a gente? Onde foi parar a magia daqueles anos em que tudo era simples, era amor, reclamações adolescentes, mágoas e paixonites que pareciam o fim só para depois já aparecer outra?

Eu sinto falta e mal saí desse tempo. Eu já tenho nostalgia de coisas que se passaram em menos de uma década ainda. É complicado falar dessas coisas sem ser clichê. Mas são apenas desabafos racionais sobre saudade de tempos mais fáceis, em que o futuro parecia tão claro quanto água direto da fonte.

Eu gostava de mim naquela época, da minha esperança, até da ingenuidade de achar que tudo seria exatamente daquele jeito para sempre. Como a vida muda, e a gente também. Mas que continuemos a crescer, sem deixar para trás aquele mundo de sonhos que só a adolescência nos permitia almejar. Esse é o mundo que a gente queria. O lugar onde eu gostaria de viver.




sábado, 24 de agosto de 2013

Sobre Paixão.


Às vezes me olhas com uns olhos gulosos de quem quer me prender, me guardar. Essa vontade tão forte me faz sorrir mas também me aflige até a ponta dos dedos. Essa tua vontade reflete na minha, mas não será concretizada pois entendes que é um capricho passageiro.
Isso me tira o ar. Fico assim pois não há absolutamente nada que eu possa fazer. Aí fico desgastada, me desdobrando em mil formas de me ligar a ti nos mínimos detalhes, poucas palavras.
E me pergunto que paixão grudenta é essa, que não satura, não descarrega. Que categoria é essa de paixão agressiva, que te quer a todo o custo e ignora todo o meu bom senso?
Pois quando te vejo sinto algo próximo da arritmia. É exagerado, mas meu coração mal consegue se conter. As pupilas dilatam tanto que mal dá pra discernir a cor real dos meus olhos. E ainda assim espero conter tanta vontade no mesmo coração, torço todos os dias pra que essa paixão se canse, esfrie e finalmente me abandone. Pois teus olhares gulosos logo cessam, mas meus contornos não cansam de buscar teus encaixes.
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