" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)
domingo, 9 de março de 2014
Domingo.
Acordou com os pés gelados. O sono pesado lhe impediu de puxar a coberta para si no meio da noite. Seu primeiro impulso às oito da manhã foi encolher-se sobre a cama ainda quente. Fechou os olhos lembrando-se do sonho. Das pessoas, das vozes e das risadas que fizeram parte de um pedaço da sua madrugada.
Alguns dizem que sonhos são extensões do consciente, outros afirmam que se trata de representações do inconsciente. Talvez, nesse caso, seja um misto de tudo: O vivido, o não vivido e o que – talvez – se estar por viver.
Com os pequenos olhos ainda pregados de murrinha, se espreguiçou como se nada mais tivesse importância naquela manhã de domingo. Olhou cinco minutos para o teto mal rebocado. Pensou no ontem e na pré-discussão pré-estabelecida pela pré-conversa pré-realizada muito bem pós-estabelecida.
Sentou na beira da cama. Cruzou as pernas, esticou-se, engoliu a preguiça e seguiu viagem até o banheiro. Era hora de tirar toda a incerteza do seu corpo, desses anos e da própria vida que já basta ser incerta por si só. Até por que, quem se importa? É domingo, amor.
sábado, 8 de março de 2014
Meu amor.
Um simples enroscar de dedos no meio do cochilo, só para não perder o contato. O movimento conjunto de fechar os olhos e depois abrir de novo para ver se ele realmente dormiu (eu sempre durmo primeiro). Meu amor é maravilhoso no sorriso contido.
No medo seguido de conforto, do abraço de proteção. Meu amor é tímido, tem medo. Assim como eu, tem inseguranças e muitas hesitações.
Mas meu amor é completo, é por inteiro. É uma dúvida que pensa em surgir e eu apago com um sorriso, um cheiro. Meu amor tem coragem, otimismo. Ele repousa nos braços de um só e por lá deve ficar nos dias de chuva e de sol. Principalmente sobre o meu amor, é que se faz junto, se faz a dois.
Os medos se enfrentam lado a lado e as dúvidas são tiradas sem intermediários. Eu sinto que posso olhar para o futuro com ele. Sei que quero construir muito mais ao seu lado. Meu amor é assim, amigo. É confidente, é fiel. É dos melhores. É meu. E eu sou dele.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Ressaca.
Acordou cedo.
Cedo demais pra quem dormiu com um grau excessivo de álcool no corpo.
Pensou no que tinha feito no dia anterior.
Pensou no que não era pra ter feito no dia anterior.
Pensou nas coisas que não era pra ter dito.
Pensou que não deveria ter enforcado o rapaz.
Pensou nos gestos, nos risos, no choro.
Porque diabos sempre chorava quando bebia?
Pensou na excitação de seu corpo e na melancolia.
E pensou no que as pessoas vão pensar.
Simples: pobre deste que bebeu além da conta.
Parecia que tinha um monstro mexendo em sua barriga.
Sim, aquela bela gastrite encubada.
Ou um bicho que o incomodava.
Sua cabeça não doía tanto, apenas precisava de água, muita água.
No fim, é sempre a água que nós salva dos líquidos nocivos.
Lembrou que já esteve pior, aquilo nada era comparado a outrora.
Ficou apenas com aquela sua típica cara de besta depois de alguns copos.
Lembrou-se das varias despedidas e das varias ‘saideiras’.
Pensou na paciência de seus amigos.
Que não eram tão amigos assim.
Mas o aturavam mesmo tentando seduzi-los no ápice de sua porrice.
Ressaca moral. Nada mais é do que a vergonha profunda de si mesmo.
Todo mundo ainda dormia.
Banhou-se e sentiu aquele vazio passageiro.
Viu as fotos e riu. Elas transpareciam a felicidade da comemoração.
Dava até pra ouvir as risadas e o som da chuva naquelas imagens.
Alegria regada ao gosto amargo de cerveja.
Carnaval em dia comum.
Euforia inebriante.
E amanhã ainda é sábado, portanto, começara tudo de novo.
Sempre era isso. Passava o dia pensando no seu fim.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Misturando os clichês.
Por você eu faço um poema de amor novo a cada dia. Eu aprendo a falar outra língua para universalizar minhas declarações. Por você eu sinto vontade de ser melhor.
Por você eu pego o telefone e ligo de madrugada, por simples saudade da sua voz. Para você eu guardei todas as canções de amor que eu conheço (Tom Zé é vida). Por você eu espero. Eu esqueço meus medos e as mágoas que passei.
Por você eu ando risonho na rua, mas não sinto vergonha. Se você quiser eu faço todas as caretas do mundo, se isso lhe fizer sorrir. Pois por você eu senti coisas que eu achava que não existiam mais.
Por você meu coração abriu uma fresta e gostou do que viu. Por causa de você as músicas têm um significado maior. Por você eu sorri, eu sonhei. Por você, me apaixonei. Paixão sem culpa, sem medo. Amor suave, sem hesitação. Por você eu mudo, mas sei que você não quer me mudar (não quero mesmo).
Pois por você eu enxerguei o mundo, vi as cores dele refletidas nos seus olhos. Com você eu sonho todos os dias (acorda pensando nos meus beijos). Para você eu dedico meus melhores versos esquizofrênicos. Você é muito presente, e eu sou muito refém de nós. Que doçura ser seu. Que prazer que é ser apaixonado por você.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Faísca.
Um completo incêndio provocado por uma única faísca
Que de tão miúda não se imaginava provocar tanto fogo
Um furacão de sentimentos jorrados em só um impulso
Palavrões vociferados com tanto gosto
e desgosto ao mesmo tempo
Que se tornam um completo descarrego de alma
Um fardo despejado em outro alguém
Uma raiva, uma mágoa, uma dor extrema
Às vezes é bom derramar todo o seu ódio em um minuto
Em segundos, ou até mesmo por horas.
Tem gente que merece ouvir. Tem gente que não.
Mas os que merecem que morram...
Com um espírito ruim no corpo
Merecem todos os maus agouros
Mesmo que seja por pouco tempo
Já que guardar raiva de gente que não vale à pena
É tomar veneno querendo que o outro morra
Ainda assim, às vezes, faz bem descarregar
Mesmo de maneira trágica as bactérias retidas no corpo
Toda a violência que tem em você
Toda a maldade que tem em você
Todo lúcifer que tem em você
Eu disse: às vezes
Quando necessário, e em determinadas ocasiões
Porque a agressão, em alguns casos, cura.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Carta não escrita.
Pequenos prazeres. Pequenas conquistas. Momentos que ficam guardados na nossa memória. A fotografia registra quase tudo. Menos o cheiro e ânsia de vômito dos drinks mal tomados que voltam na sexta pela manhã, misturados com coca-cola.
Quando tá tudo certo de um lado. Tá meio errado do outro.
“A felicidade é uma questão de percepção”, ouvi isso em algum lugar por aí. Fico me perguntando, o que isso exatamente quer dizer? Acho que não depende disso ou aquilo, mas daquilo tudo junto e ao mesmo tempo.
Olho você dormir e fico feliz por um momento.
É engraçado pensar que fazem só alguns meses que te tenho em mim. Que te conheço.
E poucas vezes te agradeci por isso direito.
Mas isso, não é uma carta de amor.
É sobre nós, eu, eles e você.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Perspectiva 2014.
Talvez alguns pensem que já está tarde para falar de ano novo... Aconteceu que não consegui postar na época, mas continuei querendo fazer um post sobre isso.
2013 foi um ano que eu vou lembrar por muitas coisas, primeiro trabalho, primeiro salário, meu sobrinho nasceu (outros bebês CostaLuz nasceram), tive minha primeira festona de aniversário desde os 12 anos de idade, acho, comprei meu primeiro celular que presta, me apaixonei pelo meu blog.
E perdi muito, pessoas e coisas. E eu sei que muitos perderam algo ou alguém também, de forma irremediável ou nem tanto. Perdi mas... O mundo continuou a girar, isso ninguém poderia evitar. Eu queria poder parar o tempo pelas pessoas que eu vi sofrer em 2013 e dar um abraço em cada uma delas, fazer o que desse.
Mesmo assim eu não mudaria nada de 2013, de verdade. Não fiz promessa alguma do tipo "Vou entrar na academia", "Vou gastar menos". Não. Eu prometi que se eu tiver a oportunidade, sempre vou fazer alguém sorrir. Que eu tenho muitos amigos (contados) e vou amá-los ainda mais. Minha família é incrível e eu vou continuar fazendo o possível para ficar mais próxima dela. E o que falar sobre meu Fanho confuso? "Hm. Hm. Hm."
Para você que ler isso eu desejo muitos abraços, olhares, sorrisos, beijos... Sei que, chegando ao fim do ano todos dizem que ele foi uma porcaria devido a apenas um acontecimento ruim que possa ter acontecido. Eu quero que nós cheguemos ao fim do ano pensando que mesmo tendo acontecido algo ruim, pequenos momentos valeram a pena.
Você pode ter experimentado um bolo maravilhoso, achado dinheiro na rua em um dia comum, conhecido alguém que acrescentou demais à sua vida. Que no fim de 2014 todos nós façamos o ano valer a pena, que possamos olhar além da raiva, angústia e tristeza, pensando que muitos anos ainda virão.
2013 foi um ano que eu vou lembrar por muitas coisas, primeiro trabalho, primeiro salário, meu sobrinho nasceu (outros bebês CostaLuz nasceram), tive minha primeira festona de aniversário desde os 12 anos de idade, acho, comprei meu primeiro celular que presta, me apaixonei pelo meu blog.
E perdi muito, pessoas e coisas. E eu sei que muitos perderam algo ou alguém também, de forma irremediável ou nem tanto. Perdi mas... O mundo continuou a girar, isso ninguém poderia evitar. Eu queria poder parar o tempo pelas pessoas que eu vi sofrer em 2013 e dar um abraço em cada uma delas, fazer o que desse.
Mesmo assim eu não mudaria nada de 2013, de verdade. Não fiz promessa alguma do tipo "Vou entrar na academia", "Vou gastar menos". Não. Eu prometi que se eu tiver a oportunidade, sempre vou fazer alguém sorrir. Que eu tenho muitos amigos (contados) e vou amá-los ainda mais. Minha família é incrível e eu vou continuar fazendo o possível para ficar mais próxima dela. E o que falar sobre meu Fanho confuso? "Hm. Hm. Hm."
Para você que ler isso eu desejo muitos abraços, olhares, sorrisos, beijos... Sei que, chegando ao fim do ano todos dizem que ele foi uma porcaria devido a apenas um acontecimento ruim que possa ter acontecido. Eu quero que nós cheguemos ao fim do ano pensando que mesmo tendo acontecido algo ruim, pequenos momentos valeram a pena.
Você pode ter experimentado um bolo maravilhoso, achado dinheiro na rua em um dia comum, conhecido alguém que acrescentou demais à sua vida. Que no fim de 2014 todos nós façamos o ano valer a pena, que possamos olhar além da raiva, angústia e tristeza, pensando que muitos anos ainda virão.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Efemeridade.
Sempre escuto que a vida é efêmera, que ela passa muito rápido e que devemos aproveitar tudo. Não vou dizer o contrário, mas vou especificar isso. Acho que algumas coisas na vida são mais efêmeras do que outras. Um pôr-do-sol que acontece sem uma câmera por perto para você registrar, certamente é mais belo, é um momento único que se guarda dentro de si.
Devemos ter a capacidade de identificar aquelas coisas que talvez jamais veremos de novo, de repetir "eu te amo" mil vezes se a possibilidade de ver a outra pessoa novamente por muito tempo seja mínima. Às vezes são coisas grandiosas, como um show que talvez nunca mais você tenha chance de ver, uma proposta de emprego, algo assim. Ou coisas tão simples como o pôr-do-sol que eu falei no começo, como um beijo lento e saboreado a cada movimento.
Digo isso porque depois sempre acontece de pensarmos: "Se eu soubesse que seria a última vez...", se soubéssemos que seria a última vez teríamos observado o sol sumir até o azul ir tomando conta do céu e as estrelas aparecerem, teríamos falado "eu te amo" sem parar, pulado e gritado até perder a voz no show, aceitado o bendito emprego, beijado de todos os jeitos, desde o desesperado até o mais gentil.
Sobretudo, se soubéssemos que seria a última vez... Talvez nunca deixaríamos certas coisas, entenderíamos de ficar ali para sempre, simplesmente por não querer deixar aquilo para trás. A vida continua e as efemeridades continuam passando, por isso que são tão rápidas e imprevisíveis, talvez essa coisa tão fugaz tenha sido feita para escapar entre os nossos dedos, por isso é tão especial.
Devemos ter a capacidade de identificar aquelas coisas que talvez jamais veremos de novo, de repetir "eu te amo" mil vezes se a possibilidade de ver a outra pessoa novamente por muito tempo seja mínima. Às vezes são coisas grandiosas, como um show que talvez nunca mais você tenha chance de ver, uma proposta de emprego, algo assim. Ou coisas tão simples como o pôr-do-sol que eu falei no começo, como um beijo lento e saboreado a cada movimento.
Digo isso porque depois sempre acontece de pensarmos: "Se eu soubesse que seria a última vez...", se soubéssemos que seria a última vez teríamos observado o sol sumir até o azul ir tomando conta do céu e as estrelas aparecerem, teríamos falado "eu te amo" sem parar, pulado e gritado até perder a voz no show, aceitado o bendito emprego, beijado de todos os jeitos, desde o desesperado até o mais gentil.
Sobretudo, se soubéssemos que seria a última vez... Talvez nunca deixaríamos certas coisas, entenderíamos de ficar ali para sempre, simplesmente por não querer deixar aquilo para trás. A vida continua e as efemeridades continuam passando, por isso que são tão rápidas e imprevisíveis, talvez essa coisa tão fugaz tenha sido feita para escapar entre os nossos dedos, por isso é tão especial.
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