" Há mais solidão num aeroporto
que num quarto de hotel barato,
antes o atrito que o contato."
(Zeca Baleiro)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Memorabilia.


Quando abro minhas caixas coloridas, gastas nos cantos, cheias de papéis, documentos e tantas coisas... Lá está você. É como um pedestal, nada obsessivo, mas é como também vive dentro de mim. Você está longe dos olhos, assim não o sinto no coração.

Nossos melhores sorrisos soterrados sob papéis velhos, provas, fotos e notas fiscais. Enterrados debaixo do pós-amor, da calmaria depois da tempestade. Sob as minhas mentiras, conquistas, vergonhas, orgulhos. As melhores  poses e recadinhos trocados entre sms's (eu anotei tudo), todos emolduram sua imagem distante, milenar na minha contagem do tempo.

Porque você... Você é meu pôr do sol favorito. É como um reflexo perfeito na água pouco antes das gotas de chuva. É o último pedaço da melhor torta de chocolate, que a gente pega com a ponta da colher e saboreia cada partícula. Você é um milagre que me dá um beijo empoeirado e envelhecido entre os papéis.

Você é o traço de luz que fica grudado na retina depois que a estrela cadente passa. É o álbum de fotos depois da melhor das festas. Você é memória pura, papel amarelado que fica escondido e quando a gente acha, lê com nostalgia. Você passou. E nas traças do armário, nas fibras cardíacas, nos olhos mesmo que fechados, ficou.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Coleção.




O meu coração quer te colecionar. Ele se esparrama, se pendura, dá cambalhota quando te vê, mas não confunda: ele só quer te enfileirar.

Ele quer te pôr na lista das raridades, quer se gabar sobre você. Você confunde minha ânsia, minha espera, acha que estou apaixonada, mas isso é truque ambicioso do meu coração, que só quer te faturar.

É que eu te ofereço muitas palavras, jogo muitas coisas sobre você, quando na verdade sou apenas marionete desse que está no centro, e não no lado esquerdo. Ele comanda, dirige. 

O meu coração te quer como prêmio, é uma compensação depois de anos de maus tratos. É como uma vingança. Ele não vê a quem tem pureza, mas quer aqueles que podem ser colecionados. 

Depois ele quer te exibir, te expôr numa estante de planos incertos, magoados. Tudo que não deu certo por pura falta de esforço dele mesmo. É maquiavélico, e te aviso antes que você caia na dele. É que ele tem lábia, tem beleza, tem doçura... E provavelmente vai enfileirar você de qualquer forma. Só o que posso garantir é que ele faz de tudo para você não se arrepender.


terça-feira, 19 de março de 2013

Pausa.


Eu me curvei sobre meus pensamentos e tentei tirar a delicadeza e a doçura que aparecem nas entrelinhas dos textos. Eu busquei o que me inspirava, mas achei apenas uma impressão do que me foi tirado.
E aí eu mergulhei dentro de mim e encontrei afinal uma forma de deixar isso ir embora. Um jeito de dizer que não há mais o que declarar, que o amor se exauriu, foi extirpado.

Então, de qualquer forma, isso rendeu textos e textos de agonia amorosa, paixão incendiária, amor em forma de gente e palavra. Pois na escrita encontrava meus consolos que não sabia descontar na vida, no falatório diário.



Mas agora a vida é outra, a vida é nova. Não é o fim, nem o encerramento. Mas um período longo onde não tenho mais reflexões acerca do amor ou outros sentimentos para oferecer. É preciso mais novidade, mais diferença. Para escrever eu preciso de ventos fortes soprando no ouvido, tão fortes que não conseguiria pensar em nada, a não ser naquilo.

Embora não saiba o que está reservado mais na frente, eu posso dizer que é uma pausa que vai demorar um pouco. Porque uma gota d'água não alaga, mas emoção em excesso e com intensidade inunda, preenche. Não parem de amar e de se apaixonar, movimentem o mundo. Mas por mim, até a hora da volta, da vinda de um novo maremoto... Vamos dar uma pausa.

terça-feira, 12 de março de 2013

Chovia.



Era dia de chuva, e já tinham caído rios do céu. A garoa fina cobria os telhados que ficavam no nível da janela, e pingos adocicados escorriam pelo relance do vidro que víamos através das cortinas verdes.

Você tinha acordado de leve e apontado um dedo preguiçoso para a janela. Eu sorri no meio do quente/frio dos cobertores misturados ao embaçado da vidraça.  
Um beijo na ponta da orelha
 e um suspiro. 


Depois promessas quebradas, mentiras atiradas ao chão. Vou casar com você e todo dia 
vai ser calor e chuva gostosa para nos embalar.
A chuva trazia aos poros o melhor de nós, os sonhos e esperanças 
que ficam no fundo, no brilho do olho na hora do beijo. 
Você entrelaçando meus dedos e eu me aconchegando e imaginando 
se existiria melhor lugar do mundo para estar em um momento de chuva.

E que assim seja a época de chuvas. 
Pois todos os dias deveria ter calor e pingos d'água para viver. 
Amor debaixo do edredom e janelas embaçadas. 
Viva o calor de uma boa chuva, 
com beijos na orelha e muitos sussurros.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Talvez, organizar.

[Foto: Lua Clara]


Talvez ela saque exatamente do que esteja precisando. De organização! O foda é saber por onde começar. Em qual prateleira certa guardar [ou esconder] cada pensamento, cada neura que consome e corrói cada espaço imaginativo, ou até certo ponto concreto, existente nessa massa encefálica desgastada pelas atitudes erradas tomadas nos últimos meses.

As vivências. As coisas ditas em momentos que deveriam ser apagados. As coisas não ditas que até hoje permanecem na vontade de serem despejadas, vomitadas. As coisas ainda não ditas, mas que serão [ela sabe] ao tomar copos a mais. Coisas que provavelmente serão tomadas por goles engasgantes de arrependimentos. Talvez pelo fato de que serão ditas pra pessoa errada, ou não-preparada [AINDA. Esperançosamente falando].

Mas se ela sabe que serão ditas na hora errada pra pessoa errada, por que dirá? Porque ela se conhece, apesar de muitas vezes esquecer disso. Eu a conheço. Ela vai falar, ela tem vontade. Ela necessita saber de uma resposta.

Espere, minha cara. Não se precipite. Escute o tal do martelo doído na cabeça. Será que vai conseguir agir contra todas essas vontades e escutar esse nhenhenhenojento, renitente ali? Evitar aquela agonia toda vez que se lembrar da merda feita? Isso já aconteceu antes, gata. Evite!

Acho que não. Ela vai falar e depois se arrepender. Já anda até meio que agindo condizente às palavras existentes naquela massa enrolada em seus pensamentos encefálicos. E sabe o que vai acontecer depois?
Vai sentir a vontade de todas às vezes. Aquela da atitude extremista de sempre. A tal de apagar da cabeça. Pegar um puta baque e acordar com amnésia. Ou até mesmo ir ao consultório ilusório do doutor 'Howard Mierzwiak' e começar a sessão apague-toda-essa-neura-peloamordeDeus, conseguir o brilho eterno de uma mente sem lembranças e tomar em paz seu psicotrópico receitado pelo mesmo.

Talvez assim, do zero, consiga organizar nas prateleiras certas desses vinte e dois anos. Ou não?



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mudanças e rimas.




Tem roupas amontoadas no canto a quarto. 
Ela não quer arrumar. 
Faz tempo que seu quarto está de pernas pro ar. 
Está tão bagunçado quanto sua própria vida. 

Ela não sabe como se ama mais. 
Esta tentando aprender, mas não esta dando muito certo. 
Ela passa cinco minutos olhando para o teto. 
Tenta pensar em alguma coisa produtiva para fazer da vida, sem sucesso. 

Fala ao telefone, briga com ele, desliga, e pensa na sua merda de vida. 
Esta entediada demais para falar com alguém. 
O teto talvez a entenda melhor do que ninguém. 
Fecha as cortinas da janela, não quer ver a luz do dia. 

O sol geralmente agride seus olhos. 
Gosta mesmo da noite. 
Porque é na noite que a diversão acontece. 
Precisa sair e respirar. 

Mas ainda é meio dia, e só de olhar para fora o calor do sol queima a sua pele. 
Nem ela sabe dizer se está triste ou alegre. 
Tem realizações acontecendo, mas fatos que interrompem sua felicidade plena. 
Uma dor martela sua cabeça. 

Não consegue dormir, nem relaxar. 
Precisa sair do mesmo lugar, precisa viver. 
Precisa se desprender. 
Precisa terminar seus projetos, precisa começá-los. 

E terminar de ler os livros da estante e sair da internet. 
Precisa ir pra academia e fazer mais sexo. 
Precisa voltar a ser menina. 
Na verdade, precisa agora, finalmente, começar a ser mulher. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Cheiro da minha Rosa.





Apesar de parecer com muitas outras, a rosa que eu cultivava no meu jardim tinha muitas peculiaridades. Por isso ela acabou sendo por muito tempo, única pra mim. 

A minha rosa era calma e serena. Tinha o cheiro doce e a voz suave. Além disso, tinha o sorriso largo e alegre.

A minha rosa falava em tom baixo e de forma pausada. Escutar ela falar me acalmava. Ela tinha a gargalhada mais escandalosamente deliciosa que eu já ouvi.

A minha rosa era atenciosa com todos. Estava sempre à disposição para um bate papo descontraído ou mesmo para dar uns conselhos quando necessários. Não por acaso ela vivia cheia de “causos” divertidos pra contar.

A minha rosa me ensinava dia-a-dia que é importante ser espiritualizado e buscar constantemente o equilíbrio em nossas ações.

A minha rosa gostava de ler tirando lições e aprendendo sempre algo mais. 

A minha rosa adorava falar baixinho ao pé do ouvido até eu dormir. Às vezes ela até dormia antes mim, mas mesmo assim eu gostava...

A minha rosa sabia quais “músicas da noite” eu gostava de receber por mensagem de celular nos dias que estava longe dela.

A minha rosa gostava muito de arte, nas diversas possibilidades em que ela pudesse se apresentar.

A minha rosa adorava cozinhar, usando pouquíssimo tempero e bastante sal. Por sinal, a sua comida de dia de domingo era deliciosa. Ela não gostava muito de sucos e saladas variadas.

A minha rosa não era ciumenta nem insegura, apenas um pouco carente.

A minha rosa às vezes tinha algumas crises existenciais. Nesses dias ela ficava um pouco impaciente. Mas isso costumava passar facilmente, quando era regada com carinho e cafuné.

A minha rosa sabia se estava feliz ou triste, só de me olhar. Meus olhos podiam enganar a muitos outros olhos, mas não aos dela.

A minha rosa gostava muito de brisa e café forte.

A minha rosa, como tantas outras, gostava de falar muito (muito mesmo!). Mas ao contrário da maioria, ela sabia também a hora de escutar.

A minha rosa era bem culta e por isso acabava me ensinando o significado de palavras que até então desconhecia.

A minha rosa gostava do toque, do cheiro... do beijo devagar e demorado, exatamente assim, “o jeito que ela gostava mais”. [risos]

Tudo isso fez com que a minha rosa se tornasse única dentre tantas outras semelhantes. O seu cheiro a tornava inconfundível. 



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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Luz por Fanho Bezerra.




Com seu bom humor dramático, tal qual um pessimismo barato (risos).
Vendendo a  fiado carinhos de ontem. Mas, relativizando tudo as engrenagens sorriem com ar de esperança.

Possui uma incrível capacidade de criar devaneios que se confundem com a nossa-senhora-sociedade-doente, que de tão insistente rouba-nos os sonhos de criança e cria outros para serem colonizados mais tarde.

Características físicas não ouso escrever, aliás, ouso sim: bochechas grandes e fofas sem mais! Mas como não se lembrar do seu sorriso enorme e dos olhos puxados que fitam o pôr do sol numa quarta-feira qualquer.

Ama os amigos, isso é inquestionável. Isso me faz pensar que seja a partir desse sentimento que vem o estimulo para rir das piadas sem graças elaboradas pelos amigos.

Ela escreve super bem e deixa isso bem claro nas postagens que faz em seu blog. Sim, ela tem um blog... Tudo bem ninguém é perfeito.

“O Snoopy ver tudo, o Snoopy sabe de tudo, o Snoopy ouve tudo, o Snoopy é legal, o Snoopy... é o Snoopy”.

Quer aprender a tocar piano, ‘violar tocão’ e viajar por aí com uma mochila grande na costa. Os sonhos de hoje somam-se aos de amanhã, empurrando o clichê com delicadeza desejo-te que alcances todos, os de hoje e os de amanhã.

“Odeia” qualquer um que se chama André... I wanna love you and treat
you right.
I wanna love you every day and every night ♪♫ (um Reggae). Sorvete de chocolate com coberturas estranhas (certo, nada a ver).

Jéssica Luz... luz do abraço apertado, luz do sorriso fácil, luz que te resgata do tédio na madrugada, luz da amizade e dos devaneios compartilhados.

Nesse misto de poema, poesia, carta, cantiga de amor, cantiga de amigo depoimento de Orkut e esquizofrenia deliberada (e gramatical) tentei te mostrar de forma singela (às vezes, beirando a mediocridade) o meu enorme carinho por ti. 

Abraço apertado e o tradicional cheiro. 


Texto e Foto: André Bezerra.


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